Mulher é agredida por PM no Espírito Santo com socos e joelhadas


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Um grupo de mulheres protestou na tarde desta quarta-feira (29) depois que um policial militar apareceu em um vídeo de uma mulher espancando e ajoelhada em Guarapari, no Espírito Santo. O Ministério Público (ES) trabalhou na Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) para obter informações sobre o caso.

As fotos mostram que o próprio policial ainda deu um tapa na mulher no chão e incapaz de se mover.

O soldado foi afastado do trabalho e, segundo a Polícia Militar, foi aberta uma investigação junto à Polícia Militar para apurar o caso. Outro agente apresentado no vídeo também foi afastado do cargo.

O ato aconteceu em frente à sede do 10º Batalhão da Polícia Militar em Guarapari e foi organizado pelo coletivo feminista Mulheres que Lutam. Um membro do Coletivo, Emily Marques, disse que o ato foi uma reação à ação policial.


"Repudiamos a abordagem truculenta e violenta da Polícia Militar. Eles alegam que a mulher estava em surto psiquiátrico. Nós queremos cuidados de saúde mental e política de assistência social e não justificativas para abordar uma mulher negra de forma violenta com chutes e pontapés. Basta de violência policial, basta de racismo, basta de machismo. Chega de violência contra as mulheres", disse Emily.

A advogada Rosania Soares, que não só faz parte do coletivo, mas também é membro da Comissão de Mulheres e Advogados da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no ES, disse que o protesto também requer uma resposta do Estado.

"Essa violência é do estado e não somente daquele policial que agrediu ou daqueles policiais que não fizeram nada para impedir. É necessário que se reveja a formação dos policiais porque isso acontece todos os dias. Esse caso foi gravado mas corpos pobres, pretos e periféricos são violentados e mortos todos os dias nas periferias no nosso estado e no nosso país", disse.

Em nota, o defensor público capixaba disse que atuava por meio da Iniciativa Cidadã de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher e dos Direitos Humanos do Sesp e pediu informações sobre o caso.

"Os defensores públicos solicitaram à pasta que fossem aplicadas medidas disciplinares aos autores da agressão, bem como explicadas as circunstâncias que implicaram na intervenção da PM em uma atividade do Serviço Móvel de Urgência (Samu).

A Instituição questiona a presença da PM, uma vez que o atendimento de pessoas com transtornos em surto psiquiátrico é atividade eminentemente relacionada à saúde e não à segurança pública", diz trecho da nota. A Prefeitura de Guarapari emitiu uma nota de repúdio sobre o caso.

"A Prefeitura de Guarapari manifesta o seu repúdio contra o fato violento, noticiado em rede nacional, envolvendo policiais militares e uma mulher no município. Em uma sociedade democrática, não é possível admitir que a violência seja utilizada de forma alguma, independente de quem estiver envolvido. O município repudia o ocorrido em nossa Cidade Saúde e não pode se calar diante de fatos tão graves, que ameaçam a integridade humana", diz a nota.

O governador Renato Casagrande (PSB) falou sobre o caso em uma rede social e disse que determinou "apuração rigorosa e providências imediatas".

"Inaceitável. Determinei ao Comando-Geral da Polícia Militar a apuração rigorosa e providências imediatas referente aos fatos registrados em Guarapari, no último sábado, que tiveram os vídeos divulgados hoje. A conduta em evidência não representa os valores da nossa polícia", postou.

Solicitado pelo relatório do g1, o Sesp afirmou ter recebido a carta do defensor público do Espírito Santo e já encaminhá-la à Polícia Militar para colher informações dentro do prazo de coleta dos dados solicitados.

Sobre o Real A Corregedoria da Polícia Militar abriu inquérito policial para apurar o assunto nos prazos previstos em lei. Os militares envolvidos no incidente foram retirados das operações da empresa, disse o Sesp.

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